A composição de uma diretoria, no sentido da administração da corporação por um corpo técnico, é um fato recente na história da Orquestra Lira Sanjoanense. Desde 1776, a corporação era regida e administrada pelo o que hoje chamamos de ‘diretor-regente’ e seus auxiliares. Ao longo do tempo, vários estatutos foram redigidos conforme o ‘espírito da época’ assim demandava, exigindo uma atualização da instituição em termos organizacionais. Com a crescente complexidade da sociedade brasileira, a orquestra necessitou se adaptar ao sabor do progresso, tornando-se uma entidade com CNPJ. A mudança ocorreu a partir do final da década de 1940, com a eleição de Fernando de Souza Caldas. Porém, somente a partir de 1960, com a criação do Cadastro Geral de Contribuintes, é que um corpo diretivo começa a responder pela entidade perante os órgãos fiscalistas. Como uma entidade jurídica composta por um quadro de associados, a Orquestra modernizou sua estrutura redigindo um novo estatuto e formando uma diretoria, composta por um conselho diretor (com os cargos de presidente, vice, secretário, tesoureiro e diretor-regente) e um conselho fiscal (com conselheiros titulares e seus respectivos suplentes), ambos eleitos através do voto direto do corpo de associados: os músicos. A partir de 1998, com a criação do Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ), mesmo com a atualização da última estatuinte (ocorrida em 2015) a organização administrativa da Orquestra se manteve.
O presidente possui a missão de zelar pelos estatutos da orquestra, representando-a em situações formais, administrar seu patrimônio, seus bens materiais e práticas imateriais, garantir a continuidade da entidade e promovê-la. Tradicionalmente, uma diretoria exerce seu mandato num biênio, ocorrendo em alguns momentos um triênio, sempre com a chancela do corpo soberano: a assembleia de músicos-sócios.
Cada diretoria possui uma marca na história da instituição. Cada liderança, através da figura do presidente e do diretor-regente, deixou expressiva contribuição e o compromisso e a lealdade sempre foram elementos distintivos de cada personagem, eternizados para sempre nos anais da corporação. Abaixo, você poderá acompanhar a linha do tempo dos presidentes:
GALERIA DOS DIRETORES-PRESIDENTES

Fernando de Souza Caldas, 1º presidente
De 1948 a 1951 (2 mandatos)
Fernando de Souza Caldas foi o primeiro presidente da corporação. Sua eleição foi esquecida pela história oral da instituição, por motivos desconhecidos. Sua habilitação como primeiro presidente ocorreu após a descoberta de documentos comprobatórios em pesquisas inéditas, ocorridas no ano de 2026 por ocasião da abertura dos arquivos ao escrutínio dos historiadores da orquestra. Nos arquivos institucionais, mesmo com a ausência de livros de atas do período, foi localizada uma ata avulsa de eleição com registro cartorário. Não há informações suficientes para se traçar um perfil de Caldas enquanto presidente, mas é possível inferir que exerceu seu mandato sob forte influência do diretor-regente Dr. Pedro de Souza. Exerceu o mandato até o seu falecimento, em 1951.
Francisco Recenvindo dos Santos, 2º presidente
De 1966 a 1973 (4 mandatos)
Recenvindo dos Santos foi considerado, por décadas, como sendo o primeiro presidente da corporação. Foi o líder de uma família de músicos, influenciando diretamente os filhos e sobrinhos a atuarem na Lira Sanjoanense. De acordo com a documentação remanescente, foi tido como exímio músico, abnegado líder e de temperamento ameno. Sua administração foi considerada modesta.


José dos Santos Filho, 3º presidente
De 1974 a 1975 (1 mandato)
José dos Santos Filho foi o 3º presidente da corporação, sendo aclamado como sucessor natural do seu tio, o ex-presidente Recenvindo dos Santos. Sua administração deu o pontapé inicial para as solenes comemorações do Jubileu de 200 anos da corporação. Sua administração foi reconhecida como excelente, porém, infelizmente interrompida no ano de 1975 após seu falecimento em condições trágicas. Era irmão da notória contralto, Maria da Conceição Santos.
Benigno Parreira (1931-2022), 4º presidente
De 1976 a 1989 (7 mandatos)
Benigno Parreira foi, até o momento, o mais longevo presidente da história contemporânea da orquestra, exercendo 7 mandatos consecutivos. Foi o presidente responsável pelos festejos do bicentenário da corporação (1776-1976) e por uma série de reformas administrativas. Parreira foi considerado um nome de peso na liderança da entidade, promovendo uma estatuinte (que deu origem ao Estatuto da Orquestra, lavrado e registrado em 1983) visando modernizar a instituição, além de fortalecer vínculos com as esferas pública (como a Coordenadoria de Cultura do Estado de Minas Gerais e a FUNARTE) e privada (Fundação Roberto Marinho, Fundação Xerox do Brasil) que culminaram na reforma e ampliação da tradicional sede da orquestra, na Rua Santo Antônio. Capitão do Exército Brasileiro, dividiu sua vida entre São João del-Rei e o Rio de Janeiro, atuando na Lira também como regente auxiliar e como barítono solista, reconhecido como uma das grandes vozes do seu tempo.


Oscar Gonçalves Filho, 5º presidente
De 1990 a 1997 (4 mandatos)
Oscar Gonçalves Filho, conhecido popularmente como ‘Cazinho’, foi o 5º presidente da corporação. Reconhecido pelo temperamento sério e contemplativo, Oscar também foi regente da Banda Theodoro de Faria. Na Lira, atuou como músico, tocando trompa e outros instrumentos de sopro. Sua administração foi marcada pela reestruturação das finanças da orquestra, prezando pela transparência e pelo zelo nas contas. Foi igualmente um presidente preocupado com a manutenção da qualidade musical da orquestra, o que ensejou o seu irrestrito apoio à escola de música da Lira, continuada na época pela professora Anizabel de Lucas, sendo aclamado pelos sócios da entidade por tal feito. Foi sua vice a musicista Teresinha Pereira Sales.
Maria da Conceição Assis Campos (1927-2025), 6ª presidente
De 1998 a 2000 (1 mandato)
Maria da Conceição Assis Campos, conhecida popularmente como ‘Lilia’, foi a 6ª presidente e a 1ª mulher a ocupar o mais alto cargo administrativo da Orquestra Lira Sanjoanense. De temperamento amável e afável, atuou como soprano solista, dona de uma voz potente e reconhecível por todos os ouvintes. Foi a dama do ‘La Caritá’, de Rossini, que sempre embalou as missas quaresmais onde a Lira prestava assistência musical. Lilia, enquanto presidente, foi extremamente preocupada com a memória institucional, sendo responsável (junto de Aluizio Viegas) pelos primeiros projetos de aclimatação, higienização e restauração de partituras e documentos históricos do arquivo da orquestra. Sua gestão foi marcada pela firmeza institucional e pela delicadeza com que sempre tratou os sócios. Inaugurou também a tendência de mandatos baseados em triênios (diferente do tradicional biênio). Foi seu vice o músico Roberto Challa Sade.


José Justino Fernandes, 7º presidente
De 2001 a 2008 (3 mandatos)
José Justino foi o 7º presidente da Orquestra Lira Sanjoanense. Pertence a um dos ramos da família do ilustre músico Luiz Baptista Lopes. Atua na orquestra como violista (viola esta fabricada no século XIX e que pertenceu ao aclamado Pe. José Maria Xavier) e como baixo solista, reconhecido pela delicada interpretação do Oh Gloriosa Virginum, solo ao pregador da Novena de Nossa Senhora das Mercês. José Justino foi um dos presidentes (assim como sua antecessora, Lilia) a investir em reformas prediais da sede social da orquestra. Reconhecido como um presidente conciliador, seu temperamento afável e de fácil trato garantiu a manutenção das atividades musicais da orquestra junto às irmandades religiosas. Os seus dois primeiros mandatos foram compostos por dois triênios, e o último, um biênio, totalizando oito anos à frente da corporação. Seu vice foi o músico Enivaldo Arruda.
Roberto Challa Sade, 8º presidente
De 2009 a 2010 (1 mandato)
Roberto Sade foi o 8º presidente da Orquestra Lira Sanjoanense. Atuou na orquestra como coralista, no naipe dos baixos. Foi considerado um dos mais respeitáveis membros da corporação, com vida dedicada ao fazer musical. De família tradicional, Roberto Sade foi um reconhecido mecenas de músicos da corporação, investindo em materiais e instrumentos para uso da entidade. Foi um presidente muito preocupado com a memória fotográfica e fonográfica da orquestra, produzindo um pequeno acervo fotográfico que em parte integra a nossa coleção iconográfica. Sua preocupação quanto aos registros da sonoridade da orquestra rendeu uma série de gravações amadoras, convertidas em cd´s que foram comercializados e distribuídos aos montes nos comércios locais da cidade. Sua vice foi a musicista Lucilla Lectícia Lara.


Maria Carmem de Siqueira, 9ª presidente
De 2011 a 2014 (2 mandatos)
Maria Carmem foi a 9º presidente da Orquestra Lira Sanjoanense, exercendo dois mandatos consecutivos. Atuou na orquestra como coralista, no naipe das sopranos. Sua atuação é lembrada como um momento de efetiva manutenção das tradições lirenses, além de promover a vida social da corporação. Seu vice foi o músico Rubens Rodrigo de Lima.
Rubens Rodrigo de Lima, 10º presidente
De 2015 a 2018 (2 mandatos)
Rubens Rodrigo foi o 10º presidente da Orquestra Lira Sanjoanense. Atua como barítono solista, sendo aclamado como uma das melhores vozes de sua geração na corporação. É reconhecido pelo variado número de solos ao pregador que integra seu repertório, destacando-se o Applaudatur da Novena de Nossa Senhora da Boa Morte e também o Assunta Est Maria in Caelum, ambos de autoria do Pe. José Maria Xavier. Rubens Rodrigo foi considerado, em seu tempo, o presidente eleito mais jovem da história da corporação e sua administração frente a orquestra foi marcada pela assertividade nos compromissos da entidade, a manutenção das tradições, a variabilidade artística e também a ponte entre as gerações dentro da Lira. Seu vice foi o músico Leandro Antônio de Faria.


Inês Cristina Santana Resende Senna, 11ª presidente
De 2019 a 2024 (3 mandatos)
Inês Cristina foi a 11ª presidente da Orquestra Lira Sanjoanense. Atua na orquestra como flautista. Exerceu a diretoria por três mandatos consecutivos, sendo considerada até o momento a primeira mulher a ocupar por maior tempo a direção da entidade. Sua administração foi reconhecida pelos esforços de sobrevivência da corporação durante a pandemia do COVID-19, onde as tradições musicais precisaram ser adaptadas frente os desafios logísticos. Além disso, foi a responsável por viabilizar a manutenção contemporânea do arquivo musical da orquestra (a última grande ação de salvaguarda ocorrera durante o mandato da presidente Maria da Conceição Assis Campos), culminando no projeto de restauro e catalogação do acervo musical ainda em curso. Sua vice foi a musicista Zilda Angelina Fernandes.
Importante mencionar que os presidentes possuem a prerrogativa de elegerem um presidente de honra. A distinção é oferecida aos músicos que mais se destacaram em sua trajetória musical, contando os feitos musicais, a liderança exercida, os serviços relevantes prestados e também o tempo de dedicação (50 anos para mais). Foram presidentes de honra, desde 1990, os seguintes: Geraldo Barbosa (1991 a 1995); Roberto Challa Sade (1996 a 1997); Geraldo Ivon (Patusca) e Maria José dos Santos (1998 a 2000); Anizabel de Lucas (2001 a 2006); Terezinha Sacramento e novamente Roberto Challa Sade (2007 a 2008) e por fim, Lourenço Parreira (2025 a 2026).
OBSERVAÇÃO: Os diretores-presidentes atuais, no exercício do cargo em andamento, não figuram na galeria de presidentes.
