
A figura do diretor-regente sempre foi central na história da Orquestra Lira Sanjoanense. O regente é o responsável pela vida musical da corporação, escolhendo – com a colaboração dos seus auxiliares – o repertório das grandes solenidades e compromissos cotidianos, elaborando programas para concertos e recitais, regendo e ensaiando coro e orquestra e por fim, representando a instituição em assuntos artísticos. Desde a sua fundação em 1776 por José Joaquim de Miranda, a Orquestra Lira Sanjoanense conta com uma linhagem de regentes, que ao longo do tempo zelaram pela boa música, pela disciplina e pela manutenção artística da entidade. Esta galeria possui como função apresentar traços biográficos, valendo-se de documentos pertencentes ao acervo da corporação, assim como de dados levantados pelo memorialista Sebastião de Oliveira Cintra e o historiador Eduardo Lara Coelho. A partir da documentação da entidade, a linhagem dos regentes possui a seguinte organização:
José Joaquim de Miranda – 1776 a 1802 (efetivo)

José Joaquim de Miranda ocupa uma posição singular na história da música de São João del-Rei, sendo o iniciador da tradição musical da família Miranda e fundador do grupo que daria origem à Orquestra Lira Sanjoanense. A primeira referência documental localizada remonta a 1776, quando Mestre José Joaquim ajustou com a Irmandade de Nossa Senhora do Rosário o serviço musical das festividades e celebrações daquele ano. A relação com a Irmandade do Rosário é particularmente significativa, pois situa a origem da corporação musical em um contexto de práticas religiosas e de organização associativa próprio da sociedade são-joanense do século XVIII. Na relação cronológica dos dirigentes da Lira, José Joaquim aparece como primeiro nome, com atuação entre 1776 e 1802, seguido por Joaquim da Silva Vasconcelos.
A importância de José Joaquim, contudo, ultrapassa sua própria atividade como mestre de música. Sua trajetória inaugurou uma continuidade familiar que se prolongaria por várias gerações. Seu filho, Francisco de Paula Miranda, prosseguiu na direção do grupo, enquanto José Jerônimo de Paula Miranda também integrou a tradição musical familiar. Mais tarde, o neto Francisco Martiniano de Paula Miranda ocuparia igualmente a direção da corporação. Coelho interpreta essa sucessão dentro da formação de verdadeiras “Escolas” de músicos, nas quais o conhecimento musical, as oportunidades profissionais e as redes de sociabilidade eram transmitidos no interior das famílias. No caso dos Miranda, a música constituiu uma atividade capaz de proporcionar rendimentos, prestígio e possibilidades de inserção social em uma sociedade marcada pela escravidão e por rígidas distinções de cor e condição.
Um dado interessante é que José Joaquim foi padrinho de 13 crianças registradas na Matriz do Pilar, número que o coloca entre os músicos mais frequentemente escolhidos para exercer o compadrio em São João del-Rei. Dos 13 afilhados, sete eram filhos de escravos, quatro eram filhos legítimos e sete aparecem na categoria de filhos de pardos ou forros, sendo registrado ainda um caso de alforria na pia. Para Coelho, a recorrência desses músicos como padrinhos indica que a atividade musical podia produzir prestígio e estabelecer redes de sociabilidade que atravessavam diferentes segmentos da sociedade. Assim, mesmo diante da escassez de informações biográficas sobre José Joaquim, sua posição como primeiro dirigente do grupo e patriarca de uma linhagem de músicos permite compreendê-lo como figura de origem de uma tradição que atravessaria os séculos XVIII e XIX e se cristalizaria posteriormente sob o nome de Lira Sanjoanense.
Joaquim da Silva Vasconcelos – 1802 a 1820 (efetivo)

Joaquim da Silva Vasconcelos foi músico e regente da corporação que posteriormente se consolidaria como a Orquestra Lira Sanjoanense, exercendo sua direção entre 1802 e 1820. Na relação de dirigentes, ele aparece imediatamente depois de José Joaquim de Miranda, que dirigiu o grupo entre 1776 e 1802, e antes de José Marcos de Castilho, cuja regência se estendeu de 1820 a 1827. Essa posição cronológica faz de Joaquim da Silva Vasconcelos uma figura importante para compreender a continuidade da atividade musical da corporação nas primeiras décadas do século XIX.
Infelizmente, pouco se sabe ainda sobre Joaquim. Possivelmente negro ou pardo, sua presença é documentada no contexto da Ordem Terceira de São Francisco. Em 1796, quando o maestro João Alves de Castilho assinou o contrato para a música da Ordem, Joaquim da Silva Vasconcelos integrava o conjunto contratado. Naquela ocasião, o grupo era formado pelo próprio João Alves de Castilho, por Francisco Antônio do Amaral Souto, Joaquim da Silva Vasconcelos, José Marcos de Castilho e pelo menino Valentim Correia Paes (futuro músico da corporação e também profícuo escultor sacro).
José Marcos de Castilho – 1820 a 1827 (efetivo)

José Marcos de Castilho foi músico e maestro são-joanense, identificado por Eduardo Lara Coelho como pardo e solteiro, e exerceu a regência da Orquestra Lira Sanjoanense entre 1820 e 1827. Era filho do maestro João Alves de Castilho, que havia dirigido o grupo responsável pelo contrato da Ordem Terceira de São Francisco em 1796. José Marcos, portanto, pertencia a uma família já inserida na prática musical da cidade e ligada à direção de corporações musicais. Antes mesmo de assumir a regência da Lira, em 1818, já aparece à frente de um grupo próprio, contratado pela Irmandade de São Gonçalo Garcia pelo valor anual de 30$000.
Sua atuação ganhou particular visibilidade em 1827, quando assumiu o chamado Partido da Música da Ordem Terceira de São Francisco. O contrato, firmado em 26 de outubro daquele ano, estabelecia a execução musical nas sextas-feiras, domingos, dias santos, enterros, missas de Natal e nas principais festividades da Ordem. José Marcos receberia 12$000, enquanto os demais integrantes tinham remunerações diferenciadas segundo suas funções. Entre os músicos relacionados estavam Francisco de Paula Miranda, José Jerônimo de Miranda, João Alves de Castilho, João José das Chagas, Carlos, Frutuoso Camilo e Francisco Lopes das Chagas, além de um baixo e um tiple. A composição desse conjunto evidencia a circulação de músicos entre diferentes corporações e famílias musicais de São João del-Rei.
A passagem pela Ordem Terceira de São Francisco também permite perceber uma dimensão importante de sua trajetória profissional. Coelho discute a hipótese, apresentada por José Maria Neves, de que José Marcos teria trocado de grupo ao assumir o contrato de São Francisco. O autor da dissertação, porém, prefere interpretar a documentação a partir da existência de uma profusão de grupos musicais, cujos integrantes poderiam circular conforme oportunidades de remuneração, prestígio e inserção institucional. Nesse sentido, José Marcos provavelmente encontrou no contrato de São Francisco uma possibilidade de ampliar sua visibilidade e seus honorários, atuando diante de uma irmandade de elevado prestígio social. A documentação também confirma seus vínculos familiares com os Castilho: em 1827, seu irmão João Alves de Castilho, homônimo do pai, integrava o conjunto que estava sob sua direção.
Francisco de Paula Miranda – 1827 a 1846 (efetivo)

Francisco de Paula Miranda foi músico, maestro e uma das figuras centrais da tradição musical da família Miranda em São João del-Rei na primeira metade do século XIX. Filho de José Joaquim de Miranda, considerado o fundador do grupo musical que posteriormente daria origem à Lira Sanjoanense, Francisco de Paula deu continuidade à atividade do pai e assumiu a direção do conjunto após a morte do maestro José Marcos de Castilho, em 1830. Sua trajetória também evidencia uma posição social relativamente destacada: em 22 de julho de 1809, recebeu do governador da Capitania de Minas Gerais, Pedro Maria Xavier de Ataíde e Melo, a patente de Alferes do Regimento de Infantaria de Milícias de Homens Pardos, sediado em São João del-Rei. Em 1826, recebeu ainda carta patente de Alferes reformado do Batalhão de Caçadores nº 24 da 2ª Linha.
Antes de consolidar sua própria direção, Francisco de Paula Miranda participou, juntamente com seu irmão José Jerônimo de Miranda, do grupo dirigido por José Marcos de Castilho. Um contrato da Ordem Terceira de São Francisco, de 1827, registra sua participação como instrumentista, tocando rabeca. Já em 9 de dezembro de 1837, aparece como diretor de uma corporação musical que havia ampliado consideravelmente seu número de integrantes. Naquela ocasião, ajustou com a Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo, pelo valor anual de 200$000, a execução da música para as solenidades da Ordem, figurando no quadro de músicos como responsável pela primeira rabeca, com quota de 16$000. O conjunto reunia músicos que posteriormente teriam trajetórias próprias na vida musical são-joanense, entre eles Hermenegildo de Souza Trindade, José Maria Xavier e seu irmão José Jerônimo.
Sua importância ultrapassou a direção de uma corporação musical. Francisco de Paula Miranda foi também professor de música e formador de outros músicos, entre eles seu sobrinho José Maria Xavier, futuro padre e um dos compositores mais conhecidos de São João del-Rei. Segundo Sebastião de Oliveira Cintra, Xavier aprendeu solfejo com o tio e, no coro por ele dirigido, desenvolveu-se no violino e no clarinete. Francisco de Paula foi ainda padrinho em diversos batizados e casamentos, aparecendo entre os músicos mais frequentemente escolhidos para exercer o compadrio: a pesquisa registra 15 afilhados de batismo. Sua trajetória, portanto, articula três dimensões que se reforçam mutuamente: a direção musical, a transmissão do conhecimento e a construção de redes de sociabilidade. Foi sepultado no cemitério da Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo, apesar de ser identificado como mulato pela documentação analisada por Coelho, dado que evidencia a posição social alcançada por meio de sua atuação profissional e de sua inserção nas instituições da cidade.
Francisco Martiniano de Paula Miranda – 1846 a 1854 (efetivo)

Francisco Martiniano de Paula Miranda (1823–1901) foi músico, violoncelista, compositor e regente da Orquestra Lira Sanjoanense, integrante da família Miranda, uma das principais linhagens musicais de São João del-Rei no século XIX. Filho do maestro Francisco de Paula Miranda, nasceu de uma união extraconjugal e foi criado como exposto, sendo reconhecido pelo pai posteriormente. Iniciou sua trajetória como violoncelista da Lira e, na década de 1840, assumiu a direção da corporação, permanecendo à sua frente, segundo a relação de regentes da própria Lira, entre 1846 e 1854. Durante esse período, também passou a compor para a orquestra.
Sua atuação esteve profundamente ligada à música religiosa de São João del-Rei. Entre 1849 e 1852, aparece como regente nos contratos firmados pela Lira Sanjoanense com a Irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte, para a qual dirigiu os serviços musicais. Mesmo depois de deixar a direção da corporação, continuou atuando como violoncelista. Seu nome também aparece entre os músicos envolvidos nas redes de compadrio da cidade, tendo sido padrinho de sete batizados registrados na documentação analisada pelo historiador Eduardo Lara Coelho em sua obra “Coalhadas e Rapaduras”.
Como compositor, Francisco Martiniano deixou produção voltada sobretudo ao repertório sacro, incluindo Missa em Ré Maior, Stabat Mater, Benedicta es tu Virgo Maria, Salmo 116 a 5 vozes, Maria, Mater Gratiæ, Hino ao Divino Espírito Santo e Memento mei Deus, além de minuetos com trio para dois instrumentos de sopro. Faleceu em 1901, aos 78 anos, solteiro. Seu inventário revela patrimônio constituído por três casas, avaliadas em 3:200$000, além de pratarias, móveis e instrumentos musicais, evidenciando que a atividade musical permanecera integrada à sua trajetória material e profissional.
Marcos dos Passos Pereira – 1854 a 1855 (efetivo)

Marcos dos Passos Pereira foi violinista, compositor, diretor e regente da Lyra Sanjoanense, atuante em São João del-Rei durante a segunda metade do século XIX. Segundo o levantamento de dirigentes da própria corporação, exerceu sua direção entre 1854 e 1855, sucedendo Francisco Martiniano de Paula Miranda e antecedendo Hermenegildo José de Souza Trindade. Sua trajetória esteve vinculada ao ambiente musical são-joanense, marcado pela atuação das corporações musicais e das irmandades religiosas.
Como compositor, deixou um repertório de caráter predominantemente sacro, no qual figuram a Novena de Nossa Senhora da Boa Morte, a Missa em Mi bemol (São Marcos), o Laudamus a basso solo, a Antífona de São José, o Memento em sol menor, a Antífona Stabat Mater e o Sollemnitatem hodiernam, hino associado à Novena de Nossa Senhora do Rosário. Também lhe é atribuída a Elegia “Minha Mãe” para orquestra, indicando uma produção que ultrapassava o repertório estritamente litúrgico. Suas peças possuem intensa melancolia, compensada com allegros intensos e majestosos.
Marcos pertencia à mesma família dos músicos Presciliano Silva e Firmino Silva, sendo primo de ambos. Sua relação com Presciliano era particularmente próxima. Em 1879, quando este partiu para a Itália, Marcos acompanhou-o até o porto do Rio de Janeiro. No retorno a São João del-Rei, contraiu febre amarela e morreu em Cantagalo, em decorrência da doença. Como homenagem ao primo, Presciliano compôs a peça Finados, posteriormente executada na inauguração do Cemitério do Carmo, em São João del-Rei.
Hermenegildo José de Souza Trindade – 1855 a 1864 (efetivo)

Hermenegildo José de Souza Trindade foi músico e regente atuante em São João del-Rei durante a segunda metade do século XIX, tendo ocupado a direção da Orquestra Lyra Sanjoanense em dois períodos, entre 1855 e 1864 e, posteriormente, entre 1871 e 1875. Sua trajetória esteve estreitamente ligada ao circuito musical das irmandades religiosas, especialmente à Irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte, para a qual dirigiu os serviços de música em diversas ocasiões. Os registros da irmandade documentam sua atuação entre 1853 e 1873, com pagamentos que alcançaram 260$000 em 1873.
Integrante da tradição musical identificada como Escola “Rapadura”, Hermenegildo pertenceu ao conjunto de músicos pardos que, embora não necessariamente ligados por parentesco à família Miranda, participaram da continuidade do ensino e da prática musical associada à Lyra Sanjoanense. Sua presença nos registros de batismos e casamentos também evidencia sua inserção nas redes de sociabilidade da São João del-Rei oitocentista. Foi padrinho de quatro batismos e aparece como padrinho em oito casamentos registrados na documentação consultada pelo pesquisador.
Embora ainda sejam escassas as informações disponíveis sobre sua vida pessoal, formação musical e produção composicional, os registros preservados permitem reconhecer Hermenegildo José de Souza Trindade como uma figura de relevo na história da Lyra Sanjoanense. Sua atuação prolongada como regente e sua presença recorrente nos contratos musicais da Irmandade da Boa Morte revelam um músico integrado às principais redes de prática profissional da música religiosa são-joanense no século XIX.
Antônio do Carmo Teixeira Pinho – 1864 a 1867 (efetivo)

Antônio do Carmo Teixeira Pinho foi músico e regente atuante em São João del-Rei na segunda metade do século XIX. Seu nome figura na relação histórica dos dirigentes da Orquestra Lira Sanjoanense, na qual exerceu a função de regente entre 1864 e 1867, sucedendo Hermenegildo José de Souza Trindade e sendo sucedido por Francisco Camilo Victor de Assis.
Francisco Camilo Victor de Assis – 1867 a 1871 (efetivo)

Francisco Camilo Victor de Assis foi músico e regente atuante em São João del-Rei na segunda metade do século XIX. Seu nome aparece na documentação da Orquestra Lira Sanjoanense como regente entre 1867 e 1871, sucedendo Antônio do Carmo Teixeira Pinho e antecedendo, em seu segundo período, Hermenegildo José de Souza Trindade. Foi professor de Luiz Baptista Lopes, inserindo-o no mundo da música e apadrinhando-o na corporação.
Hermenegildo José de Souza Trindade (2º mandato) – 1871 a 1875 (efetivo)

Hermenegildo José de Souza Trindade foi músico e regente atuante em São João del-Rei durante a segunda metade do século XIX, tendo ocupado a direção da Orquestra Lyra Sanjoanense em dois períodos, entre 1855 e 1864 e, posteriormente, entre 1871 e 1875. Sua trajetória esteve estreitamente ligada ao circuito musical das irmandades religiosas, especialmente à Irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte, para a qual dirigiu os serviços de música em diversas ocasiões. Os registros da irmandade documentam sua atuação entre 1853 e 1873, com pagamentos que alcançaram 260$000 em 1873.
Integrante da tradição musical identificada como Escola “Rapadura”, Hermenegildo pertenceu ao conjunto de músicos pardos que, embora não necessariamente ligados por parentesco à família Miranda, participaram da continuidade do ensino e da prática musical associada à Lyra Sanjoanense. Sua presença nos registros de batismos e casamentos também evidencia sua inserção nas redes de sociabilidade da São João del-Rei oitocentista. Foi padrinho de quatro batismos e aparece como padrinho em oito casamentos registrados na documentação consultada pelo pesquisador.
Embora ainda sejam escassas as informações disponíveis sobre sua vida pessoal, formação musical e produção composicional, os registros preservados permitem reconhecer Hermenegildo José de Souza Trindade como uma figura de relevo na história da Lyra Sanjoanense. Sua atuação prolongada como regente e sua presença recorrente nos contratos musicais da Irmandade da Boa Morte revelam um músico integrado às principais redes de prática profissional da música religiosa são-joanense no século XIX.
João Ignácio Coelho – 1875 a 1876 (efetivo)

João Ignácio Coelho foi músico e regente atuante em São João del-Rei na segunda metade do século XIX. Sua presença na documentação musical da cidade está registrada, ao menos, desde 1874, quando aparece como responsável pela música contratada pela Irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte, pelo valor de 220$000. No ano seguinte, assumiu a regência da Orquestra Lyra Sanjoanense, função que exerceu entre 1875 e 1876.
Sua trajetória conhecida insere-se, assim, no circuito musical constituído pelas irmandades religiosas e pelas corporações musicais de São João del-Rei, no qual os músicos encontravam importantes espaços de atuação profissional. À frente da Lyra Sanjoanense, Coelho antecedeu o maestro Carlos José Alves, que assumiu a direção da corporação em 1876. Embora ainda sejam escassas as informações biográficas sobre sua formação, sua produção musical e sua vida pessoal, os registros localizados atestam sua participação na vida musical são-joanense e sua atuação junto a uma das principais corporações musicais da cidade oitocentista.
Carlos José Alves – 1876 a 1882 (efetivo)

Carlos José Alves nasceu em São João del-Rei, em 4 de novembro de 1850. Iniciou sua trajetória musical como instrumentista da Lira Sanjoanense e, ainda jovem, alcançou a posição de regente da corporação, que dirigiu entre 1876 e 1882. Inserido na tradição de formação musical da “Escola Rapadura”, Alves integrou uma geração de músicos que encontrou na atividade musical um importante espaço de atuação e reconhecimento social. Sua trajetória esteve também ligada à composição, tendo produzido obras de caráter sacro e profano. Entre as peças atribuídas a seu nome estão o Hino de Santa Cecília, a Antífona de Santa Cecília e o Hino de Santo Antônio. Em 16 de julho de 1870, casou-se com Maria Cândida Rosa, com quem permaneceu por mais de seis décadas.
Em 1882, Carlos José Alves deixou São João del-Rei e transferiu-se para Juiz de Fora, atraído por uma oportunidade de emprego público na Câmara Municipal. Na nova cidade, além das funções administrativas, assumiu a direção musical de um grupo encarregado da execução de música em serviços religiosos e ocasiões profanas. Sua carreira no serviço público foi ascendente, levando-o posteriormente ao cargo de diretor da Fazenda Municipal. A documentação remanescente evidencia que sua atuação musical em São João del-Rei já havia alcançado reconhecimento antes da mudança. Durante o período em que esteve à frente da Lira Sanjoanense, Alves também esteve diretamente envolvido com a música da Irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte. Os registros da confraria indicam ajustes para a realização dos serviços musicais da festa em 1877, 1879 e 1881, todos sob sua regência, estabelecendo uma relação entre sua atuação e um dos espaços religiosos mais significativos da vida musical são-joanense oitocentista.
Apesar de ter passado mais de meio século em Juiz de Fora, Carlos José Alves permaneceu presente na memória musical de São João del-Rei. Faleceu em 2 de agosto de 1936, aos 85 anos, embora a imprensa da época o tenha registrado como tendo 86. Os jornais são-joanenses O Correio e A Tribuna dedicaram-lhe extensas homenagens, destacando seu caráter, sua conduta pessoal e sua trajetória como professor, músico e compositor. O Correio registrou ainda que uma comissão da Lira Sanjoanense, formada por Fernando Caldas, José Gonçalves Gomes e Pedro de Sousa, deslocou-se de São João del-Rei para prestar homenagens ao antigo regente durante seu funeral. No mês seguinte, a própria Lira promoveu uma missa com Libera Me na Igreja de São Gonçalo Garcia, em memória de Alves, reunindo autoridades e numerosos fiéis. Sua trajetória evidencia, assim, a permanência de seu prestígio para além do período em que esteve à frente da Lira e revela a importância que a sociedade musical são-joanense atribuía àqueles que haviam participado de sua formação e de sua tradição orquestral.
Luiz Baptista Lopes – 1882 a 1907 (efetivo)

Luiz Baptista Lopes (São João del-Rei, 1854-1907) foi maestro, compositor, professor de música, artesão, pintor, santeiro e escultor, tendo ocupado lugar de relevo na vida cultural e religiosa de São João del-Rei na segunda metade do século XIX. Filho do músico e professor Irênio Baptista Lopes e de Rita Maria de Jesus Lopes, cresceu em uma família estreitamente vinculada à prática musical. Recebeu as primeiras letras do próprio pai e do professor Carlos Copsey e iniciou sua formação musical com Francisco Camilo Victor de Assis. A trajetória familiar de Luiz insere-se em uma tradição sanjoanense na qual determinadas famílias fizeram da música uma atividade transmitida entre gerações e uma forma de diferenciação social.
Em 1882, Luiz Baptista Lopes assumiu a direção da Lira Sanjoanense, permanecendo à frente da corporação até sua morte, em 1907. Seu ingresso na direção foi marcado por manifestações públicas de reconhecimento, com a presença de músicos em sua residência e discursos em homenagem à escolha do novo maestro. Durante aproximadamente vinte e cinco anos, sua atuação ultrapassou a regência propriamente dita, uma vez que esteve ligada à formação de sucessivas gerações de músicos e à participação da Lira nas cerimônias religiosas e na vida pública da cidade. Foi também compositor de obras sacras e profanas, entre as quais se encontra a Ladainha de Nossa Senhora da Boa Morte. Sua atuação junto à Confraria de Nossa Senhora da Boa Morte, inclusive como secretário, demonstra que o maestro participava das redes institucionais que sustentavam a atividade musical sanjoanense.
A personalidade artística de Luiz Baptista Lopes, contudo, não se restringiu à música. Segundo a documentação memorialística reunida por Eduardo Lara Coelho, Baptista Lopes exerceu também os ofícios de pintor, santeiro e escultor, tendo aprendido essas artes com Joaquim Francisco de Assis Pereira e Venâncio José do Espírito Santo. Em 1889, realizou o estandarte da própria Lyra Sanjoanense, obra descrita elogiosamente pela imprensa local durante sua solenidade de bênção na Igreja do Rosário. A imagem que emerge das fontes é a de um artista de atuação múltipla, cuja autoridade derivava menos da acumulação econômica do que do domínio de diferentes saberes e da posição conquistada no interior das instituições musicais e religiosas. Embora tenha vivido em condições materiais modestas, sua reputação como maestro e artista permaneceu depois de sua morte. Em 1938, a Câmara Municipal de São João del-Rei perpetuou sua memória ao atribuir seu nome à antiga Rua das Flores.
João Feliciano de Souza – 1907 a 1924 (efetivo)

João Feliciano de Souza nasceu em São João del-Rei, aos 29 de outubro de 1861. Filho do casal Pedro Matias José de Souza e Sabina Maria dos Santos Souza. Foi professor de inglês, latim e música, sendo reconhecido como homem de letras e extremamente culto para a época, lecionando inclusive em várias escolas normais dentro e fora de São João del-Rei. Prolífico compositor, foi autor de ricas peças musicais que se tornaram repertório obrigatório de missas e grandes festas religiosas, à exemplo da Novena de Nossa Senhora da Boa Morte, com destaque para o solo ao pregador Applaudatur, de grande pompa e consagrado como ‘canônico’ na tradição do respectivo novenário. Assumiu a regência e direção da Orquestra Lira Sanjoanense em 1907, após o falecimento de Luiz Baptista Lopes, de quem era amigo e grande colaborador. De acordo com a documentação remanescente, sua eleição como diretor-regente se deu por aclamação unânime, tendo em vista o enorme respeito e a elevada reputação que possuía dentro da corporação. Mesmo não aceitando o cargo de pronto, assumiu o posto após grande clamor dos músicos da Lira e de uma comitiva de personalidades ilustres da cidade de São João del-Rei, que o convencera a ocupar o cargo. De acordo com os seus contemporâneos, mesmo sendo um homem de refinada cultura, possuía um espírito recolhido, humilde e extremamente modesto. Tal personalidade acanhada e retraída contrastava com a enorme capacidade musical e o imenso saber intelectual, destacando-se numa sociedade essencialmente conservadora e escravocrata. Tal observação se faz necessária, tendo em vista que João Feliciano foi um homem negro, alcançando enorme prestígio e respeito. Nesse sentido, João Feliciano foi um dos raros exemplos de ascensão social de negros no contexto da escravidão ainda operante no século XIX, ascensão essa obtida através de arranjos de apadrinhamentos com personalidades locais, casamento interracial e demonstração de ‘talento’ por meio do saber-fazer musical. Foi também o músico responsável pela transição da Orquestra Lira Sanjoanense do século XIX para o século XX, iniciando um lento processo de modernização que se encerrou, grosso modo, durante a regência do seu filho, Pedro de Souza. Faleceu também em São João del-Rei em 28 de dezembro de 1924.
Fernando de Souza Caldas – 1924 a 1949 (efetivo)

Fernando de Souza Caldas nasceu em São João del-Rei em data desconhecida, provavelmente na década de 1870. Foi músico da Orquestra Lira Sanjoanense e serviu à instituição através dos cargos de secretário e diretor-regente, sendo inclusive o seu primeiro presidente. É possível que Fernando Caldas tenha sido o responsável por separar as responsabilidades administrativas da entidade da figura do diretor-regente, instituindo assim duas autoridades representativas: o diretor-regente enquanto autoridade musical e o presidente como autoridade administrativa. Foi amigo íntimo e fiel colaborador do Maestro João Feliciano de Souza, assumindo a regência após o seu falecimento no ano de 1924. Através dos documentos remanescentes, é possível identificar Fernando Caldas como um homem responsável, respeitado pelos seus contemporâneos e detentor de uma personalidade severa. Foi mestre de Pedro de Souza, inserindo-o no fazer musical dentro das fileiras da Lira Sanjoanense e com ele dividindo a batuta de maestro. Faleceu em 1951.
Dr. Pedro de Souza – 1934 a 1949 (auxiliar interino)

Dr. Pedro de Souza nasceu em Carrancas em 1902. Filho do maestro João Feliciano de Souza, ex-diretor da Lira Sanjoanense e de Ricardina da Silva e Souza, aportou aos dois de idade na cidade de São João del-Rei, tornando-se uma das estrelas mais fulgurantes da velha urbe. Foi presidente e maestro da Sociedade de Concertos Sinfônicos de São João del-Rei e diretor do Conservatório Estadual de Música ‘Pe. José Maria Xavier’. Ingressou na Orquestra Lira Sanjoanense na década de 1920 c0mo flautista e assumiu posteriormente o posto de regente auxiliar em 1934, colaborando com o maestro Fernando Caldas. Tendo em vista o talento e o enorme senso de organização e dever, além de ser filho do inesquecível maestro João Feliciano de Souza, logo passou a colaborar intensamente com a rotina musical da corporação, contribuindo também com a administração da orquestra ao lado de Fernando Caldas, que nutria por Pedro de Souza um irrestrito respeito e sentimento paternal, tendo em vista que foi colaborador, secretário e amigo pessoal de João Feliciano, pai de Pedro de Souza. O músico foi considerado o sucessor natural de Fernando Caldas, assumindo a regência titular em 1949.
Dr. Pedro de Souza – 1949 a 1995 (efetivo)

Dr. Pedro de Souza nasceu em Carrancas em 1902. Filho do maestro João Feliciano de Souza, ex-diretor da Lira Sanjoanense e de Ricardina da Silva e Souza, aportou aos dois de idade na cidade de São João del-Rei, tornando-se uma das estrelas mais fulgurantes da velha urbe. Foi presidente e maestro da Sociedade de Concertos Sinfônicos de São João del-Rei e diretor do Conservatório Estadual de Música ‘Pe. José Maria Xavier’. Assumiu a regência efetiva da Orquestra Lira Sanjoanense em 1949, após o falecimento do maestro Fernando Caldas, de quem foi amigo íntimo e grande colaborador. Enquanto maestro efetivo, Pedro de Souza marcou profundamente a corporação, possuindo estilo sóbrio, rígido e essencialmente formal. Durante esse período, projetou a Orquestra dentro do cenário nacional, inclusive colaborando com o musicólogo Francisco Curt-Lange, de quem se tornou amigo. Foi o responsável pela formação de várias gerações de músicos na Orquestra, sustentando a entidade como verdadeiro baluarte e detentor de uma apaixonada abnegação pelo saber-fazer música na Lira. Faleceu em São João del-Rei, no ano de 1995, causando enorme comoção no mundo da música na Região das Vertentes e em Minas Gerais.
Cap. Benigno Parreira – 1995 a 2009 (efetivo)

Nasceu em São João del Rei no ano de 1931, filho de José Venâncio Parreira e Olira Manoel José Gomes Parreira. Iniciou seus estudos musicais com o Maestro Joaquim Laurindo, que por muitos anos conduziu a Banda de Música Santa Cecília, cuja sede era no Morro da Forca, Alto do Bonfim, em São João del Rei. Ingressou no Exército, e como executava muito bem o clarinete, foi para a Banda do 11° Regimento de Infantaria. Foi preparado pelo Maestro Adhemar Campos Filho para o exame de Mestre da Banda. Foi condutor da Banda do 11° , da Orquestra da Sociedade de Concertos Sinfônicos e da Orquestra Lira Sanjoanense. Na Lira, ingressou em 1952. Foi Presidente, Secretário, Diretor e Regente. Também atuava como barítono, realizando vários solos. Em 1976, foi transferido para o Rio de Janeiro. No Rio, o Capitão Parreira formou um Coral com músicos militares e alunos universitários. Em 1982, realizou no Rio de Janeiro um concerto na Festa de Santa Cecília, que reuniu cerca de 700 músicos sob sua batuta, incluindo músicos militares do Exército, Marinha, Força Aérea, Polícia Militar e Bombeiros. Em 1986, voltou para São João del Rei, após entrar para a reserva e deu continuidade às suas atividades musicais. Das suas composições, a Marcha “Saudades” (1957), é a mais conhecida. Segundo o trabalho do Doutor em Música, Edésio Lara de Melo, é a Marcha fúnebre mais tocada em Minas Gerais. Falecido em 19 de agosto de 2022.
Teófilo Helvécio Rodrigues – 2005 a 2009 (auxiliar)

Nasceu em São João del Rei, MG. Filho do maestro Teófilo Inácio Rodrigues e Glória Nunes Rodrigues. Iniciou seus estudos com seu pai e aos 10 anos ingressou na Banda “Theodoro de Faria”, tocando saxofone alto em Mib. Em 1968, ingressou na Orquestra Ribeiro Bastos , como trombonista e bombardinista, e em 1971, como trompetista, na Orquestra Lira Sanjoanense. Em 1973, ingressou como soldado do 11°BI, sendo lotado na Banda de Música, sob a regência do então Subtenente Benigno Parreira. No ano seguinte foi transferido para o Rio de Janeiro, para a Banda de Música do 1° Batalhão de Guardas do Rio de Janeiro. Aperfeiçoou os estudo de música na Academia “Lorenzo Fernandez” e com professores como Rubens Brandão, da UFRJ. Em 1977 foi transferido para o Batalhão da Guarda Presidencial em Brasília/DF . Retorna ao Rio de Janeiro em 1986 como Mestre de Música e Regente da Banda da Escola de Sargentos de Armas. Em 1990, assume em São João del-Rei, a função de Mestre de Música , como Subtenente. No período de 1990 a 1996 assume a regência da Orquestra da Sociedade de Concertos Sinfônicos. Em 1996, volta à Brasília como regente auxiliar da Banda de Música do Batalhão da Guarda Presidencial. Em 1998, foi transferido para o 12°BI, em Belo Horizonte, MG, como regente da Banda de Música da 4° Região Militar. É promovido a Capitão em 2003. A frente desta Banda destacam-se 2100 apresentações, em diversas Salas e Teatros, em conjunto com as Bandas da Aeronáutica, Bombeiros, Polícia Militar. Participou como palestrante em diversos congressos, inclusive o I e II Encontros Internacionais de Instrumentistas de Sopros , promovidos pela UFMG. Aposentou-se em 2005, após 32 anos de serviços prestados ao Exército Brasileiro. Após sua aposentadoria, retorna à sua terra natal e volta a assumir a regência da Orquestra Lira Sanjoanense, assim como a Banda Theodoro de Faria, em parceria com o irmão Tadeu Nicolau Rodrigues. Em 2007, foi eleito Presidente da Sociedade de Concertos Sinfônicos, também assumindo a sua regência. Em 2009 participou do Projeto “Bandas de Cá”, financiado pela FIEMG, que reuniu 12 bandas mineiras, em diversas apresentações nas cidades históricas, promovendo posteriormente um concurso de arranjos de músicas populares para Bandas de Música. Compôs diversas músicas, entre elas, Missas, músicas religiosas, peças para orquestra, Marchas, além de inúmeros arranjos.Atualmente reside em Brasília/DF.
Aluizio Viegas – 2009 a 2015 (auxiliar)

Aluízio José Viegas nasceu em 26 de Março de 1941, em São João de Rei. Filho de Henrique de Assis Viegas (Lilico) e Maria José Barbosa Viegas (Dona Mulata). Iniciou seu interesse musicológico em 1959, ao salvar da destruição um número significativo de fontes musicais do arquivo musical de Japhet Maria da Conceição, herdeiro de Martiniano Ribeiro Bastos. Em 1960 ingressou como violoncelista na Orquestra Lira Sanjoanense, fundada em 1776, dedicando-se posteriormente à flauta e ao contrabaixo. Aluizio dedicou-se também, ao longo da vida, a trabalhos junto à Catedral Basílica de Nossa Senhora do Pilar e ao estudo da história da música são-joanense e arredores e da sua divulgação. No mesmo ano, iniciou suas atividades no arquivo musical da Lira Sanjoanense, inicialmente copiando fontes musicais e, a partir de 1963, deu início à pesquisa e divulgação da música sacra brasileira dos séculos XVIII e XIX, relacionada às obras de Manoel Dias de Oliveira (1734/5-1813), Jerônimo de Souza Lobo (?-1811), João de Deus de Castro Lobo (1794-182) e José Joaquim Emerico Lobo de Mesquita (1746?-1805), entre outros. Em sua atividade como musicólogo, integrou a equipe da pesquisa O ciclo do ouro: o tempo e a música no barroco católico (PUC-RJ), como membro da Comissão de Análise de Documentos (CAD) e como editor da série Música Sacra Mineira – Séculos XVIII e XIX (hoje também conhecida como Coleção Música Sacra Mineira), participando, juntamente com Francisco Curt Lange (1903-1997), na elaboração da primeira listagem de obras da Coleção Curt Lange recolhida ao Museu da Inconfidência/Casa do Pilar, em Ouro Preto (MG) em 1982. Desde 1963 colaborou com diversos pesquisadores, principalmente Cleofe Person de Mattos, Jaime Cavalcanti Diniz, Adhemar Nóbrega, Olivier Toni, Antônio Alexandre Bispo, Adhemar Campos Filho, Ernani Aguiar e Paulo Castagna. Participou de vários projetos da Fundação Nacional de Artes, do Museu da Música de Mariana (especialmente o projeto Acervo da Música Brasileira) e da Secretaria de Estado de Cultura de Minas Gerais (especialmente o projeto Patrimônio Arquivístico-Musical Mineiro), na publicação de obras de compositores brasileiros dos séculos XVIII e XIX. Além da Orquestra Lira Sanjoanense, dirigiu a Sociedade de Concertos Sinfônicos de São João del-Rei e atuou como pesquisador da Cúria Diocesana de São João del-Rei e do Museu de Arte Sacra de São João del-Rei. Publicou várias partituras e trabalhos científicas, entre artigos e capítulos de livros (alguns disponíveis online), mas deixou grande número de partituras e textos manuscritos, principalmente no arquivo da Orquestra Lira Sanjoanense.” Casado com Niva Maria Brighenti Viegas e pai de Beatriz do Carmo Brighenti Viegas, Aluízio faleceu em 27/07/2015, em Nova Lima/MG, em decorrência de complicações de um AVC.
Willer Silveira – 2009 a 2014 (efetivo)

Willer Silveira nasceu em São João del Rei em 1987. Mestre em música pela Universidade Federal de São João del-Rei-MG com a dissertação Oficio de Quinta-feira Santa de Antônio de Pádua Alves Falcão (1848 – 1927): Problemas textuais e edição critica (2022). Possui Licenciatura em Música/ habilitação em Violino pela Universidade Federal de São João del-Rei (2011). Atua desde 2005 como regente e professor de Violino na Sociedade Orquestra e Banda Ramalho-Tiradentes-MG, onde tem desenvolvido grande trabalho recopiando e editando todo o acervo que conta com exemplares dos séculos XVIII, XIX e XX. Integra a Orquestra Lira Sanjoanense desde 2006, onde atuou como Diretor-regente entre os anos de 2009-2014 executando peças de compositores mineiros. Atuou como regente convidado da Orquestra Ribeiro Bastos. Foi professor do Conservatório Municipal Heitor Villa-Lobos de Barbacena entre os anos de 2007 e 2016, onde lecionou Violino, Canto Coral e prática em conjunto.
Prof. dr. Modesto Flávio Chagas Fonseca – 2015 – presente

Modesto Flávio é Professor Adjunto do Departamento de Música da Universidade Federal de São João Del Rei, lecionando as disciplinas Prática de Orquestra, Canto Coral, Fundamentos da Regência, Harmonia e Análise Musical. É graduado em música – Bacharelado em Regência em 1993 pela Escola de Música da Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte (MG), Mestre em Musicologia pela Universidade Federal do Estado Rio de Janeiro – UNI-RIO em 2004 e Doutor em Musicologia na mesma universidade em 2013. Foi Regente Adjunto da Orquestra Filarmônica do Espírito Santo entre os anos de 1993 a 2010 e em 1994 forma a Orquestra de Câmara de Viçosa – MG sendo também seu regente titular. Formou, em 2001, o grupo Coro e Orquestra Domine Maris e o Capela Del Rey em 2010, ambos dedicados à divulgação da música brasileira dos séculos XVIII e XIX, no qual atua como violista, regente e diretor artístico. Com o primeiro gravou, em 2005, o CD “Creator Alme” que faz o primeiro registro sonoro da maioria das obras que nele constam. Com o segundo realizou em 2011 uma série de concertos nas regiões central e norte do Brasil. Diretor Regente da Orquestra Lira Sanjoanense desde 2015. Coordena o Centro de Documentação Musical de Viçosa – CDMV e realizou a publicação de dois volumes de obras sacra e para banda, pertencentes aos acervos viçosenses e da região.
*Importante salientar que ao longo dos anos, sobretudo a partir dos anos 2000, houveram regentes auxiliares dos regentes titulares, além de outros colaboradores que assumiram a regência ad hoc. Portanto, há lacunas.
