
A nova obra do artista João Batista de Paiva, intitulado Santa Cecília, é uma obra de maturidade do nosso jovem pintor e escultor sacro. Filho do grandioso escultor sacro Osni Paiva, João Batista permanece utilizando a linguagem do barroco como expressão pessoal. Ambientada num marcante ambiente escuro, Santa Cecília toca delicadamente um contrabaixo. Seu olhar fita o além, como que em visão beatífica. Os acordes a transportam para o místico enlevo de quem canta para rezar, como já afirmaria no passado, Santo Agostinho. E o que ela toca? Executa com primor e precisão o Glória, da Missa para a Assunção de Maria, composta pelo Padre José Maria Xavier para a festa de 15 de agosto de 1851. Um angélico querubim, de inocente semblante infantil, segura desajeitadamente o caderno de partitura, a ‘parte’ de contrabaixo. O diapasão, num canto, nos recorda que na música – e também na vida – devemos soar afinados, com propósito, com firmeza e com equilíbrio. Do outro lado, num pequeno castiçal de prata, repousa uma rosa solitária. Tal rosa, o que simbolizaria? O fruto acabado e singular de uma bora? A singularidade do momento representado? Uma alusão iconográfica a uma virtude? Uma alegoria moral? Uma questão em aberto, que somente dois gigantes poderiam responder: o próprio artista, ou o tempo. Com o tempo, esperamos que o artista responda satisfatoriamente, facilitando as interpretações futuras que possam vir a ocorrer.

